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Arquivo 13/03/2010

A Família, um grande amor

13/03/2010

 

 

 

A filosofia traz em sua palavra a presença do amor, posto que ‘philo’ significa amor e ‘sophia’, saber. A palavra ‘philosophia’ significa, então, ‘o amor ao saber’.
E se invertêssemos a ordem? “Sophiaphilo”. Poderíamos falar em ‘saber ao amor’?

 

Como a sabedoria pode nos auxiliar no aprendizado do amor? Sentimento, tantas vezes paradoxal, nem sempre é coerente com a construção do saber.

Amar é um aprendizado a partir da experiência com o outro, uma troca de cuidados que se inicia na família, quando mãe e filho são um único ser.

Esse saber cresce na relação com os irmãos e com os amigos, na percepção das semelhanças e diferenças, presente entre esses; esbarrando na identificação e/ou repulsão aos antepassados.

Família, constituição necessária, instintiva e formativa. Grupo, clã, tribo. Inserção fixada pelos genes e pela cultura. Família de pessoas que acolhemos, e que nos adotam, por afinidade.

São tantas as formas de amor, que é difícil estabelecer parâmetros entre elas.

O único parâmetro é o próprio amor, o respeito à dignidade do outro como ser vivente, como parte do grupo que se intitula imagem e semelhança de Deus.

Saber amar, construindo um conhecimento nesta arte, é a busca essencial de todo grupo que se propõe como humano, a caminho de sua divindade transcendente.

 

 

Samanta Obadia

 

E o afeto? Dançou!

13/03/2010




 

A arte reflete a vida ou a vida reflete a arte? Alguém já fez esta pergunta, mas não sei se a respondeu. E a dança, acompanha as relações afetivas ou o afeto dança de acordo com a música?

Se assim o for, pode-se dizer que os casais atuais estão entre ‘pancadões’ e a alta tecnologia, se esbarrando por acaso, entre uns e outros, anônimos. Estão entre os encontros virtuais, entre suas fotos ‘fakes’, entre orkut, twitter e chats. Chatos!
Nesses desencontros, o que se vê é muita virtualidade e pouco contato, muita quantidade e pouca qualidade, muitos números e pouco conhecimento, muito sexo e pouca intimidade.
Mas no espaço vazio dessa solidão, percebe-se um tímido retorno às danças de salão, que em seu fundamento provocam o encontro do masculino com o feminino, da condução e da percepção do que o outro deseja. Desafio imenso para os casais atuais, quando muitas mulheres conduzem homens que perderam a direção.

E a arte de dançar junto vem ensinar o lugar dessa dualidade, perdida de si mesma e mergulhada na confusa sexualidade, que se perverte rigorosamente, a cada dia, na sociedade.

Nos bailes da vida, o confronto dos desejos é uma atividade comum, mas nos bailes de dança de salão, a busca é a do encontro do ritmo do outro, da afinidade dos corpos em um único tempo, o da música. Não são mais homens e mulheres simplesmente, são cavalheiros e damas, que conduzem e se deixam conduzir com um mesmo fim, dançar junto ao outro, sem competição.

Alguns não perceberam a gentileza proposta pela arte da dança e, viciados em sua vaidade, exibem-se, esquecendo o par, e como pavões, abrem suas caudas, abafando o(a) parceiro(a). O que eles não sabem ainda é que um sozinho não forma casal, e sem os dois, não há a beleza da dança, do encontro.
Dançar junto é um exercício de escuta, que por ser humana, tem seus limites. O homem conduz enquanto respeita o tempo e os dons da dama, a mulher se deixa conduzir, enquanto percebe até onde pode acompanhar o cavalheiro.
A graça está em dançar na arte do encontro, envolvendo e se deixando envolver pelo tempo do outro, respeitando os diferentes ritmos propostos, sem imposição. Posto que na dança de salão, não há o meu e o seu, há o nosso, e que quando se põe em sintonia, forma parceria, e como a própria palavra denuncia, estabelece harmonia e alegria.
  

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